sábado, 24 de agosto de 2013





FORROZEIROS NORDESTE EM PARTICULAR, E DO BRASIL...
ESTÃO DE LUTO!





                                                                                           Sgfernandes32@gmail.com




            É triste mais é verdade. Como qualquer um nós o tempo tem seu tempo. Tempo para nascer, para crescer e para morrer. Chegou a sua hora de voltar às origens Dominguinhos! Neste período disponível devem-se cumprir os projetos de vida que delineamos! José Domingos de Morais – Neném, nosso pernambucano que dedicou sua vida a alegrar os nordestinos, brasileiros e até povos de outras plagas, de todas as posses: ricos e pobres com sua musica regional, deixou como legado uma das mais belas melodias que encantam a todos nós que tivemos a alegria e o prazer de ouvi-lo e conhece-lo de perto. Suas canções refletem o sentimento da alma do nordestino, particularmente nos festejos juninos.
Parte nosso consagrado melhor sanfoneiro para dar prosseguimento a sua vida, com mais experiências acumuladas ricas de conhecimentos, sabedoria e compreensão, certo de que não mediu esforços para realizar com dedicação, eficiência, determinação, carinho e amor à missão que lhe fora confiada e que se dispôs realizar em prol do seu bem-estar e a favor do seu semelhante. Da sua melhora como espírito criativo, predestinado e preparado para exercer com sucesso seu propósito de viver melhor e espalhar conceitos de amizade, fraternidade e harmonia, através de suas músicas e canções.   
            Neném, O Dominguinhos, que aquele velho guerreiro Lua Gonzaga – seu padrinho musical -, o tornou conhecido, achava que o apelido de infância Neném, não soava bem, feita esta descoberta intuitivamente passa a o chamar de Dominguinhos. Acreditando no potencial do garoto, o torna membro efetivo do seu conjunto musical. Jovem de origem humilde, porém descendente de uma família de agricultor e sanfoneiro, começou a tocar sanfona deste pequeno e já aos 6 anos tocava muito bem o instrumento musical que o fez famoso. A sanfona!
            Conta o próprio uma das passagens de sua vida: certa vez sua mãe juntou os três filhos e disse filhos hoje é dia de feira em Garanhuns vamos colocar o talento de vocês a prova. Não temos nada para comer! Precisamos fazer dinheiro para que não nos falte o pão de cada dia! Deus é nosso Pai e Pai nenhum abandona seus filhos, ou coisa dessa natureza. Deus não nos dá o peixe pescado, mas nos dá as condições necessárias para que se pegue esse peixe. Assim foi feito e os meninos humildemente sentam em uma das calçadas e começaram a tocar. Para surpresa em pouco tempo o chapeuzinho colocado para receber as doações estava cheiro de notas e moedas! Segundo depoimento de Dominguinhos fora feita nesta semana uma feira de arromba! 
            Um outro episódio ocorrido entre 8 e 10 anos foi que conhecera e fez amizade com o também menino, sanfoneiro, cabra da peste! Basto Peroba! Bomcoselhense da gema. Segundo este aquela amizade lhes rendeu muitos e muitos anos de convivências e troca de experiências. É Basto também um dos melhores sanfoneiros da região e quiçá do Nordeste e do Brasil. É hoje com certeza o orgulho da Terra do Papacaça!  É um bomconselhense que nos orgulha com sua destreza e competência. Nosso sanfoneiro maior!
            Dominguinhos segue sua trajetória de vida, e o destino lhe prepara uma grande oportunidade. Em uma das apresentações de Gonzagão naquela cidade, teve a sorte de aproximar-se do cantou. Este por sua vez chegou a ouvir e ver o menino dedilhar sua modesta sanfona e que o impressionará, lhe desperta a curiosidade e a capacidade de um verdadeiro descobridor de talentos. Além do mais uma empatia sem explicação, surge entre Luiz Gonzaga e o menino Neném.  O convida para ir ao Rio de Janeiro. Neném, de imediato não aceita. Tem outros planos em mente. Pouco tempo depois com os dois irmãos decide mudar-se para a capital pernambucana – Recife. Lá enfrenta todas e quaisquer dificuldades na tentativa de sobreviver e divulgar seu trabalho. Neném já nessa época tinha em mente explorar todo seu potencial e desbravar o caminho do sucesso musical, como cantor e músico propriamente dito. Não obtendo o êxito esperado resolve juntar-se a Luiz Gonzaga, e aceitando a proposta feita em um outro momento. Segue Neném com toda família para o Rio de Janeiro, isto em 1954 Seu pai o Sr. Chicão que era bom tocador e afinador de fole, não teve muitos problemas para se adaptar e arranjar o seu ganha pão.
             Luiz Gonzaga virou a partir daí e definitivamente seu padrinho musical, o recomendando como seu sucessor. Desta convência surge uma grande amizade e uma excelente parceria. Cresce Dominguinhos como cantor, como musico e autor de belas letras musicais, cantadas por ele, por Lua Gonzaga, vários cantores e cantoras de valores e renome nacional.  
            Deixa-nos, Dominguinhos aos 72 anos. Ficamos sem a sua presença física, mas sua herança, seu exemplo de vida ficará para sempre por gerações e gerações...
            Muito teríamos para falar sobre Dominguinhos: seus valores, sua música, seu caráter, sua personalidade, sua moral e ética, o seu legado para o Brasil e para o Mundo!
            Frase do editor do Jornal do Comercio dia 24 de julho de 2013.
                                   
 “É TÃO DIFÍCIL FICAR SEM VOCÊ.”

Pesqueira, 24 de julho de 2013.
Sebastião Gomes Fernandes, Sociólogo, Escritor, Poeta e Cronista.







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