FORROZEIROS NORDESTE EM PARTICULAR, E
DO BRASIL...
ESTÃO DE LUTO!
É triste mais é verdade. Como
qualquer um nós o tempo tem seu tempo. Tempo para nascer, para crescer e para
morrer. Chegou a sua hora de voltar às origens Dominguinhos! Neste período
disponível devem-se cumprir os projetos de vida que delineamos! José Domingos
de Morais – Neném, nosso pernambucano que dedicou sua vida a alegrar os nordestinos,
brasileiros e até povos de outras plagas, de todas as posses: ricos e pobres com sua musica regional,
deixou como legado uma das mais belas melodias que encantam a todos nós que
tivemos a alegria e o prazer de ouvi-lo e conhece-lo de perto. Suas canções
refletem o sentimento da alma do nordestino, particularmente nos festejos
juninos.
Parte nosso consagrado melhor sanfoneiro para dar prosseguimento
a sua vida, com mais experiências acumuladas ricas de conhecimentos, sabedoria
e compreensão, certo de que não mediu esforços para realizar com dedicação,
eficiência, determinação, carinho e amor à missão que lhe fora confiada e que
se dispôs realizar em prol do seu bem-estar e a favor do seu semelhante. Da sua
melhora como espírito criativo, predestinado e preparado para exercer com
sucesso seu propósito de viver melhor e espalhar conceitos de amizade,
fraternidade e harmonia, através de suas músicas e canções.
Neném, O Dominguinhos, que aquele velho guerreiro Lua Gonzaga – seu
padrinho musical -, o tornou conhecido, achava que o apelido de infância Neném, não soava bem, feita esta
descoberta intuitivamente passa a o chamar de Dominguinhos. Acreditando no potencial do garoto, o torna membro
efetivo do seu conjunto musical. Jovem de origem humilde, porém descendente de
uma família de agricultor e sanfoneiro, começou a tocar sanfona deste pequeno e
já aos 6 anos tocava muito bem o instrumento musical que o fez famoso. A sanfona!
Conta o próprio uma das passagens de
sua vida: certa vez sua mãe juntou os três filhos e disse filhos hoje é dia de
feira em Garanhuns vamos colocar o talento de vocês a prova. Não temos nada
para comer! Precisamos fazer dinheiro para que não nos falte o pão de cada dia!
Deus é nosso Pai e Pai nenhum abandona seus filhos, ou coisa dessa natureza.
Deus não nos dá o peixe pescado, mas nos dá as condições necessárias para que
se pegue esse peixe. Assim foi feito e os meninos humildemente sentam em uma
das calçadas e começaram a tocar. Para surpresa em pouco tempo o chapeuzinho
colocado para receber as doações estava cheiro de notas e moedas! Segundo
depoimento de Dominguinhos fora feita nesta semana uma feira de arromba!
Um outro episódio ocorrido entre 8 e
10 anos foi que conhecera e fez amizade com o também menino, sanfoneiro, cabra da peste! Basto Peroba! Bomcoselhense
da gema. Segundo este aquela amizade lhes rendeu muitos e muitos anos de
convivências e troca de experiências. É Basto também um dos melhores sanfoneiros
da região e quiçá do Nordeste e do Brasil. É hoje com certeza o orgulho da
Terra do Papacaça! É um bomconselhense
que nos orgulha com sua destreza e competência. Nosso sanfoneiro maior!
Dominguinhos segue sua trajetória de
vida, e o destino lhe prepara uma grande oportunidade. Em uma das apresentações
de Gonzagão naquela cidade, teve a sorte de aproximar-se do cantou. Este por
sua vez chegou a ouvir e ver o menino dedilhar sua modesta sanfona e que o impressionará,
lhe desperta a curiosidade e a capacidade de um verdadeiro descobridor de
talentos. Além do mais uma empatia sem explicação, surge entre Luiz Gonzaga e o
menino Neném. O convida para ir ao Rio
de Janeiro. Neném, de imediato não aceita. Tem outros planos em mente. Pouco
tempo depois com os dois irmãos decide mudar-se para a capital pernambucana –
Recife. Lá enfrenta todas e quaisquer dificuldades na tentativa de sobreviver e
divulgar seu trabalho. Neném já nessa época tinha em mente explorar todo seu
potencial e desbravar o caminho do sucesso musical, como cantor e músico
propriamente dito. Não obtendo o êxito esperado resolve juntar-se a Luiz Gonzaga,
e aceitando a proposta feita em um outro momento. Segue Neném com toda família
para o Rio de Janeiro, isto em 1954 Seu pai o Sr. Chicão que era bom tocador e
afinador de fole, não teve muitos problemas para se adaptar e arranjar o seu
ganha pão.
Luiz Gonzaga virou a partir daí e
definitivamente seu padrinho musical, o recomendando como seu sucessor. Desta convência surge uma grande amizade e uma excelente parceria. Cresce
Dominguinhos como cantor, como musico e autor de belas letras musicais,
cantadas por ele, por Lua Gonzaga, vários cantores e cantoras de valores e
renome nacional.
Deixa-nos, Dominguinhos aos 72 anos.
Ficamos sem a sua presença física, mas sua herança, seu exemplo de vida ficará
para sempre por gerações e gerações...
Muito teríamos para falar sobre
Dominguinhos: seus valores, sua música, seu caráter, sua personalidade, sua
moral e ética, o seu legado para o Brasil e para o Mundo!
Frase do editor do Jornal do
Comercio dia 24 de julho de 2013.
“É TÃO DIFÍCIL FICAR SEM VOCÊ.”
Pesqueira,
24 de julho de 2013.
Sebastião
Gomes Fernandes, Sociólogo, Escritor, Poeta e Cronista.
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